Me contem?

Vocês gostam de ler crônicas? Me digam quais temas são interessantes em nosso cotidiano para falar sobre?

Me dêem dicas e eu criarei crônicas ou mesmo poemas com seus temas ..

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coisas nossas

suas ideias são gostosas
é isto
palavras que mergulham
assim como um tropeço
caindo diretamente no mar
imediatamente na vida.

 

observo a imensidão
que há entre o conforto
das suas ideias
minhas ideias
nossas escolhas.
se deslocando devagar
fugindo da realidade.

parar e te  ouvir
é uma viagem:
palavras gostosas
saindo de uma boca gostosa

saltando de dentro de você

parando dentro de mim

recado

O descanso de um sono qualquer
em cima da mochila numa tarde chuvosa
me fez pensar que o cansaço nos permite
cair em qualquer cama, cadeira, sofá, mesa, tapete

Na verdade, em qualquer lugar
mas que seja depois do almoço
algumas vezes
depois de um excessiva leitura também.
leituras obrigatórias demais dão sono
então para não cochilar no ônibus

Coma algo leve e não leia coisas da faculdade

 

 

Múltipla e fragmentada,

isso é o que chamo de “EU”

turva e diáfana: totalmente,

todos os dias, completamente.

 

Penso que me divido em peças variáveis,

de personalidade e vivencias,

não estou mais em um lugar só,

logo, também não sou só uma,

já que me comparo a uma peça teatral

e me divido em variadas cenas,

assim como o decorrer de uma novela.

Multifacetada: eu nunca estou no singular.

 

Falo que não sou uma só,

por que me recordo dos fragmentos de mim mesma

ao longo da minha vida,

uma espécie de acontecimentos inesperados

fragmentos de mudanças

essa condição de totalidade dividida,

que vai se ajustando

a condição de ser EU,

é uma condição complexa,

sou muitas

e conheço todas que habitam em mim,

são todas mulheres,

são quase todas loucas

e quase todas fortes.

VENTO EM TEUS OLHOS

O vento que passava pela janela escancarada, naquela casinha pequena em que estávamos, invadia o seu rosto, tão ligeiro, que levava com ele os seus pensamentos bem no momento em que você fechava os olhos. Lembrou-me um tempo em que você olhava o seu destino, dessa vez, pela porta da mesma casinha, olhava longe, através do deserto em frente: aquele vazio bom, mas com árvores nas montanhas afastadas, porém tão perto da sua imaginação, mesmo que você não chegasse até elas, até as árvores balançantes nessas montanhas, é que pensava nelas, tão perto de ti, pela visão do destino.

Eu poderia descrever exatamente como era sua expressão facial ao olhar para o destino que surgia em sua mente, mas não consigo. Penso que você criava toda uma estória, bem mais bonita do que a verdade. Confesso que você sempre foi assim, continha um desejo intenso de se alimentar de pequenas coisas gostosas, porém tão longe da sua realidade. Não havia entretenimento mais estranho que te ver olhando para o nada, eu queria saber o que você pensava, queria poder invadir os seus pensamentos da mesma forma que vento fazia só para tentar entender toda a sua precisão em olhar fixamente um lugar, sem que as suas pálpebras batessem. Como eu não podia fazer isso, eu refletia a sua personalidade: como você é boa, como você é forte e ao mesmo tempo tão frágil e ingênua. Você é tão… Distante, se esconde tanto em seus abismos.

Sinto muito, ao presenciar e fotografar tão bem seus olhos e não saber, ainda, descrever-te, e infelizmente não será nessa cônica que farei isso. Às vezes é tão impossível para mim, falar sobre você e não chorar, e, por isso, algumas vezes, eu não consegui terminar o que comecei a escrever sobre você. Pois ainda não saiba explicar o amor que tenho pela sua existência. Eu te abraço tanto em todos os sentidos da vida, penso até que antes da minha existência aqui, eu já te abraçava.

Não deixarei parar por aqui, até te descrever tão bem, mesmo que o choro me tome mais tempo do que as palavras tomando coerência. Acontecerá, até que seus olhos destinem outras direções que não sejam as mesmas, as que nunca foram alcançadas, é que as minhas palavras tomarão direção também, tomarão bem mais que às minhas lágrimas…

Ocasionados entre o céu e a lembrança,

Primeiro um pássaro seguindo longe do seu ninho

Ainda bem pequeno e pensante o bastante para ser independente

É que se acende uma luz em suas costas, penetrante em suas asas, depois, suando também a cabeça de um homem que anda sozinho, a pé, no meio da estrada de um interior do sertão sergipano

A luz, é uma extensa luz, fervente, que os tornam sedentos, o pássaro e o homem

Ela se situa no céu azul sem nenhuma nuvem, e deixa quente a lembrança do andante que vai ao seu trabalho e do voante que vai a sua presa

A lembrança é mesmo a faísca, para que haja menos tempo entre os caminhos, é pensando e pensando, e lembrando demais que o tempo fica ligeiro durante a caminhada

Como se a entrada de um vento invasivo, cobrisse o pensando e se entre os olhos fixos na estrada fosse um pré destino?

Amor Urbano

Não quero um amor distante

como esses de enfrentar uma fila,

de subir escadas,

de atravessar a pista,

de ler panfletos de sorteio no banco

ou tédio no almoço da universidade

e os embaces dos ônibus.

Talvez o amor urbano,

com cheiro de gasolina

que inclusive, aumentou o preço

e o cheiro do asfalto com movimentações,

Não me chame atenção.

é que esse cansaço de miseráveis progressos,

não quero!

Desejo um amor de praia,

calma e desapegos.

Até por que não necessito do sofrimento

em meu romance,

como foi em Capitães de Areia

ou no clipe de uma banda folk

que vi semana passada,

onde morre a mulher do romance

e o romance ali também morre.

Morre de amor urbano!

Então quero luz,

a luz natural que clareia os seus olhos

às vezes

como nesses encontros na praia

e fotos banais

fora do padrão do Facebook

e outras redes sociais

de grandes visualizações.

Quero um amor épico

de resgatar histórias já acabadas

e trazer para o povo a objetividade

que nosso romance tem,

pelo dia.

Pois à noite,

quero um amor dramático

que se tornara assim em alguns meses,

uma espécie de poesia trágica,

comédia ou um haicai

no final das briguinhas

e da falta do que fazer de cada um.

Meu amor

“lugar sem comportamento é o coração”,

Manoel de Barros dizia

o meu, comporta

com a confusão que o nosso amor “calmo”

suporta.

Confesso

Mesmo sem querer

tenho um amor urbano

talvez eu não precise romantizar tanto

já que o nosso amor é feito verbo velho,

não falha.

Relatos do que li quando criança  

                                                                                                                      

Lembro-me bem das histórias dos livros infantis que eu ouvia na infância, inclusive, os que li. Por ter sido uma criança muito atenta e com uma bagagem vasta de imaginações, mergulhava nas histórias e as fantasiava, trazendo para o mundo real, não é à toa que acabava sonhando com os personagens dos livros, de fato, as historinhas ocupavam o meu inconsciente também.

A minha mãe costumava comprar livros de fábulas para me ensinar a ler, mas antes ela fazia questão de ler às fábulas para mim, porém, eu gostava mais de outras histórias, na época eu não sabia qual a estrutura ou gênero delas, mas hoje sei, eram  contos e poemas, essas, no entanto, eu ouvia muito quando insistia para que minha melhor amiga lesse, pelo fato de ser mais velha do que eu, ela já sabia ler perfeitamente.

Eu precisava muito aprender a ler bem, e sem pausas: A Menina do Avental da Betty Coelho Silva, pois ao ouvir e ver as ilustrações, nos devaneios da minha mente, eu já estava sendo a própria personagem. A menina que usa tintas e um avental para pintar durante o dia, mas nunca se esquece de lavar o avental e guardá-lo na gaveta. Talvez por causa dela, eu comecei a não deixar os meus brinquedos largados em qualquer canto da casa. Outra vez, eu comecei a imaginar como que era possível uma lua ir ao cinema? E assistir um filme sobre suas conterrâneas, as estrelas, ou melhor, uma estrela que queria um namorado. Fato bastante burlesco, pois descobri há três anos, lendo um livro de poemas do Paulo Leminski, que o poema infantil, A Lua no Cinema, é dele, então sem dúvidas, uma estrela pode sim aparecer num filme de romance onde a lua vai estar na platéia um tanto emocionada. E com sobressalto, eu lia, A Chapeuzinho Amarelo, nessa fase, eu já sabia ler bem, então li este livro durante uma semana, todos os dias, o que eu sentia? Medo, pelo medo da personagem, pois, o medo que ela sentia a fazia acreditar que existia um lobo, quando na verdade o lobo era a sua imaginação que a fazia não sair de casa e não sair da sua situação de medo para entrar numa situação encorajadora. Depois desse livro, Chico Buarque me fez pensar menos na Chapeuzinho Vermelho.

Tendo em vista o início, onde citei a minha mãe, posso contar, foram mais de uma semana ouvindo a mesma historinha: Bambi. Minha mãe já não suportava ler a mesma coisa, mas eu me emocionava todos os dias com a mesma história.

Então, posso dizer, a literatura me dominou muito na infância e isso contribuiu  muito para o meu costume com a leitura, continuo imaginativa, por isso, passei a escrever também, já que eu interpretava todas as histórias que eu ouvia, imergida nas situações e encantada por elas, então eu não teria como não gostar de escrever ou de ler. Confesso que a minha formação infantil era baseada em bons atos, pelo medo da moral da história das fábulas.

Sobre hoje, nove de dezembro de dois mil e dezoito, defino em uma palavra: descoberta. Pois, os nomes dos autores das histórias, que me prenderam nesses livros que citei, são os mesmos que ainda leio, porém os seus escritos recentes e não imaginava que eles já faziam parte da minha infância.

São inigualáveis.

Até que ponto serei corrompida

Valéria Santana

Hoje acordei intuitiva e com a impressão de que meu corpo, este mês, mudou muito. Não está sendo diferente com a minha mente, ela também mudou, está um pouco mais tranquila. Não olhei às fases da lua, para saber se estou na fase anciã, pois pareço estar:quando seus pés conseguem relaxar, quando você abraça o sono depois de um dia rotineiro e não pensa tanto nos dias seguintes, mas se lembra de coisas passadas.
Posso dizer que isso é identificável. Quando uma mulher passa a ter domínio de si mesma, se conhece e abusa do seu poder, ela consegue perceber suas próprias mudanças em poucos dias. Ela consegue saber o que é bom ou ruim para o  seu corpo. Porque  o conhece bem e explora cada detalhe de si.

Essa é uma fase, muitas vezes, difícil de alcançar, principalmente quando o que nos cerca tem um poder maior sobre nós, um poder que nos esconde, nos tapa, nos corrompe e nos transforma. Sim, falo do machismo.

Há um tempo, quando eu lia ou observava rodas sobre o Sagrado Feminino, refletia sobre quem somos nós mulheres e o que nos tornarmos. Quando o machismo nos corrompe, lá desde a infância, passamos a ser uma espécie de criação “para o homem”, uma mulher cujas características devem ser para agradar o sexo oposto e não para agradar a si própria.

Cá para nós, percebo, todos os dias, que o que precisamos é nos conhecer mais, entrar dentro de nós mesmas e vasculhar nossas emoções e escolhas verdadeiras.

É complicado quando nos querem bonecas: o cabelo tem que ser calmo, a pele macia, pernas bonitas, corpo magro, mas não tão magro. Serenidade, afeto, maternidade. Tem que esconder a menstruação. Isso é o que criam para nós. Mas uma mulher virtuosa sabe o quanto são sagrados os seus dias e o seu ciclo, o quanto há verdades nela, o quanto é ruim arriscá-las, porém, aliviador quando arrisca. Não é ser o contrário de tudo. É se conhecer, é entrar em si mesma, conhecer suas fases e respeitá-las e não se esconder por causa da arrogância do mundo, quando ele a corrompe, pela  ignorância de não saber que uma mulher contém algo sagrado. Até pela razão de que nós não somos só “fadinhas”.  Somos  integras, místicas e intuitivas.

O que sou nesse mundo quando não me conheço bem, quando não sei atuar com a minha personagem principal?

Há muitos anos percebo que não quero atuar com o papel que me deram, mas esse mês, especialmente, precisei falar que é necessário investigar  mais o papel que descobrimos em nós, o papel que se encaixa verdadeiramente em nosso perfil.

Somos diáfanas.

Crônica fêmea

Penso que sou muitas e conheço todas que habitam em mim // são todas mulheres, são quase todas loucas e quase todas fortes.

Quando comecei a escrever algumas espécies de poemas, essas pequenas rimas mal editadas, me perguntaram se eu já tinha feito um poema para algum garoto, eu respondi que não. talvez algumas pessoas já tenham sido minha fonte de inspiração, mas nunca escrevi diretamente para um garoto. Logo,  falo sempre aos que perguntam por que escrevo, que escrevo para o que me veste, um poema, por exemplo, me veste de feminilidade. Descrevo personalidades femininas, para provar a totalidade dividida que é uma mulher. Então, não rejeito uma troca de simbolismos, coisas que só mulheres entendem, pois carregam um útero.

Provo, que do cruzamento das pernas à abertura, da vestimenta à nudez, elas imergem arte. A conclusão é incessantemente a mesma, a de que a mulher não é doce. A porta está aberta o tempo todo para um ‘não’ muito fácil, então criamos cascas, uma condição de casquinha protetora. Não se engane: tecer os olhos; trocar os dias; contar os dias férteis; os dias das dores de todos os meses. Até a hora em que os olhos apontam para o nada guerreando outras gerações. Penso no incêndio em  tantas almas e nas cinzas femininas em orações.