RUA

Na RUA à voz que emana é a do povo.
Discutem.
Aceleram os passos.
Bagunçam. Gritam. Vão.
Sem querer acontece de torna-se vão.
Enquanto só queriam ir. 
Na RUA os pichadores marcam frases.
Dizem com palavras sem saltar à voz. 
Se escorre uma palavra da boca.
Palavras guardadas dentro do medo. 
Outras disfarçadas nos rostos dos donos da frases nos muros.
Na RUA aparecem às crianças com fome, “invisíveis”.
O preconceito desce a ladeira e para na esquina da casa de dona Rosa à fofoqueira.
Na RUA que se ascende às fogueiras em São João. Que queima fogos. Chuvinha. MULHER.
Na RUA onde nasce os cães vira latas. Doentios.
Onde cresce à miséria e a boca de fumo.
E ali na praça o mesmo grupinho esquerdista das frases pichadas nos muros da RUA.
Onde eles moram.
Na RUA os direitos.
Os deveres.
Na RUA a cidadania falha. A política falha.
Há falhas na RUA da sua casa.
E nas RUAS do mundo.
Lá se vai o amor na RUA. Entre a pipa da criancinha e a falta de cuidado com os fios do poste.

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Caminhar: onde os passos se apressam e na esquina pede calma.
O trânsito diz, paciência,  através da faixa de pedestre.
Os pés apressados atravessam,  à rua, à pista. E lá na frente outra esquina com o mesmo pedido: calma!
Pra hora, pro passo, pra vida.
É andar como se anda, um passo de cada vez, feito o parto; dois filhos, ao “mesmo tempo” mas um a frente do outro.  Não se pula. Caminha. Entre a troca da perna direita com a esquerda.

A cabeça nos fere mais que os rascunhos da vida.
É mais fundo que físico.
É ameno sorrir pro dia e explorar o choro da noite.
Por que a mente controla (descontrolando) isso.
Não há motivos fora do motivo
Ser a mente o outro ser insano,  insatisfeito,  imperfeito,  desordenado,  desnorteado dentro de você.
A mente sou Eu, no Eu por fora.

Repara?

Repara o que oferecem
Paz de Deus.
Dinheiro não!
Pobre ama sua pobreza achando que  Deus o “iluminou” com isso.
Alienação!
Corrupção é o demônio fingindo ser Deus.
E a pátria, em nome dos bons costumes brasileiros, deixa virar cultura o que não é pra ser cultura.
Estupro. Marcação de terras. Perseguição aos índios. Marginalização. Exploração infantil. Racismo. Homofobia. Prostituição…
O que mais pode ser cultura agora?
Além da mistura do futebol com a fome?