Toda cara, característica.
A cara dura. A ímpar.
A suja, a limpa, a doentia.
Aquela bem puta, culta.
A cara proibida.
E as lagrimas, os risos
a linguagem da expressão
Na cara crua de uma vadia
Na alma pura
Da cara de uma mulher

De longe a expressão
Dela na cara teatral
ligeira, no riso
ligeira, brava
outra cara, cara, disfarce

eu gosto da cara dela, da cara dela nua

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um soluço de ilha

todo delírio escancarado de dentro para fora

toda vontade desabotoada

traz uma ilha, um poço bem fundo ou uma poça de lama

estradas de chão criam amontoadas poças de lamas

é essa terra molhada, de limo, de barro

é nela que se criam caminhadas

e as vontades não se afundam

é na ilha que se afundam

afundam soltas as vontades na ilha que brota na imaginação

na estampa da camisa do menino na praia

no inconsciente, brota também, nos sonhos

mergulham felizes, nos sonhos afundam soltas

afundam desesperadas no poço bem fundo

numa mente despovoada não cabe ilha, não cabe a profundidade

a lama enterra qualquer passagem de desejo

***

o que está sujo?

vontades que se acumulam nas turbulentas falas de alguém

que na lama vive e das palavras vive

dispara como um trovejo palavras imundas

de desejos imundos cruzando avenidas circulares

no coração, movimentando a adolescência latente

de alguém com 76 anos

se troveja, chove

chove furiosa

e não corrói sob um azul ou um cinza no céu

é sob a espessura do lodo

é competindo com a imaginação

que toda ilha soluça um vento desejante

zona extasiada

E quando você acorda, tudo acorda

eu começo a perceber uma zona de êxtase

& eu que sempre gostei de uma zona de êxtase

basta achar esse meu lugar molhado para afogar

algumas durezas da vida, principalmente a da manhã

no êxtase da manhã, antes, na hora e depois

mesmo navio entrando e saindo, depois se afoga

de novo na zona do êxtase, duro, bem duro, como a vida

navegando, depois de sair do porto

querendo entrar numa lagoa.

 

Navio não cabe em lagoa, entenda

eu corto logo sua voluptuosidade

e você não cansa de acreditar que eu me perco

tanto a ponto de achar que dentro da lagoa

um navio espasmo pode entrar

jorram mesmo no lençol listrado

perto das coxas molhadas

ela é a que está escorrendo, a das coxas molhadas

 

todo rio, mar, lagoa

todo gozo fundindo

vivíssimo entre a cor de sua pele e da minha

que silencio na sua zona de êxtase

não hesite em entrar, ainda é cedo.

 

A única forma de passar esse formigamento no centro das minhas mãos é …

De passar? Não.

A única forma de acabar com esse formigamento no centro da minhas mãos é…

De acabar? Não.

A única forma de deixar o centro das minhas mãos

com mais formigamento ainda, é….

O movimento, a rapidez. Acesa. demorada.

Mas o tempo, o tempo é lento.

Passando das 23h e depois não chega às 6h da manhã.

A unica forma de deixar o pensamento devagar é…

Ainda não sei

A única forma de ir embora é….

Ainda não sei

A única forma de martelar menos, tudo, tudo que passa rápido

no movimento desse tempo lento

em que tudo começa a fazer sentido, ou não, de que a vida é uma loucura

É para dizer que a forma única não existe

para cessar tudo isso  que eu disse.

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Peço-te desculpas. Desculpa pelo caminho já traçado diferente do seu que não conseguiu traçar como queria, pela falta de tudo e todos de sua época, então, obrigada também. Desculpa pela covardia, pela falta de chegar junto, não saber, não questionar, não alimentar o bem. Desculpa mesmo por eu não sentir a mesma dor que sentes na sua caminhada, dura, congelada, retardada. Sem direito ao desejo que vem de dentro, sem direito a se permitir, sem direito a caminhar mais pela estrada de seus sonhos do que por essa estrada dolorida. Eu sei que às vezes pareço sumir, esquecer, arquivar sua luta, sua presença, sua história, seu cotidiano, sua visita. Mas saiba, que em algum momento eu começo a vomitar tudo, às desculpas, os agradecimentos, os lamentos… Definitivamente, saiba, os desejos que me fazem caminhar para além do que você foi ou vai, para além até de onde desejo ir, sem limites, continuam, pois ainda não tive a capacidade de vomitá-los. Por isso, mais uma vez, obrigada.

Mesmo que suas pernas inchadas ainda tenham que caminhar muito, mesmo que ainda tenhas que fechar as portas do seu coração pra qualquer coisa que te instigue a confiar, amar e se apaixonar, mesmo que suas estradas fechem todas às janelas, as portas, as gretas… Mesmo que tudo pare. Lembre que ainda não vomitei o desejo de ir longe. E quando eu empurrar às portas, abrir às janelas e forçar às gretas, saia, caminhe para bem mais longe do que eu, que, talvez, tenha perdido menos tempo favorecendo às revoluções que movimentam o meu corpo, nas paixões.

De longe. “Em nome de todas nós”. Pegue qualquer fresta de conhecimento e defina como parte obrigatória de sua história, sem nunca esquecer das dores de sua caminhada.

Por medo da verdade que se instaura dentro do peito, ali na linha da razão que faz fronteira com a emoção, partimos pra longe, imergindo nas inverdades. Porém, mesmo distante, nos batemos de cara com alguns sentidos, os que não tem como fugir, ainda mais quando se sabe da proporção das coisas revolucionando dentro corpo, aquilo que chamamos de desejo, vontade, aspiração. Aquilo que é mais voluptuoso, quase constante.

Quisemos muito. O medo era pra ser só um contraste, nada que fosse fundamental,. Mesmo sabendo que na vida real certas maneiras de querer não se batem. Os valores buscam outras fontes, as equivocadas.

Se soubessem o quanto é bom se entregar só pela força dos passos que os sentidos dão, andando direitinho nas linhas de tudo que faz fronteira com os desejos mais absurdos de bons, eu diria, as fontes seriam verdadeiras demais.

A gente quer conforto e os corres desses sentidos não confortam alguém, já que o conforto é quase sinônimo de limitação.

Do contrário, me procure, a fronteira é uma merda, mas eu vou. Vou com o movimento das coisas.

Os seres sagrados, são sagrados.

O sujeito como objeto, não é um sujeito sagrado

É um sujeito que se assujeita as suas extremidades e esquece de ser sujeito de si próprio, de seus sentimentos mais profundos e verdadeiros.

O melhor ritual é quando conseguimos atingir nossos desejos mais profundos, transcendentes.

Os seres sagrados, são sagrados, porque já passaram por todas os seres que habitam esse planeta.

Os seres sagrados, são sagrados até sua última vida, sua última missão.

Os seres sagrados não são objetos

São mais que isso.

Os seres sagrados estão cada vez mais fundo nas coisas da natureza, no fundo do mar ou na lua.

Os seres sagrados não somos nós, ainda é cedo

eu penso que seu cheiro
sumiu, dessa vez
até porque tenho esquecido de você aos poucos
porém, penso tanto em seus olhos
que já habitam bem no meu inconsciente
só para provar isso
sonhei contigo ontem
olhando para mim

Je pense que ton odeur
a disparu enfin,
Car peu à peu
Je t’ai oublié
Cependant, je pense tellement à tes yeux
Qui habitent encore mon inconscient
Et pour te le prouver
Hier,
J’ai rêvé que tu me regardais

cinzeiro

Você passa o tempo se perdendo.

Bem assim: viu um copo na beira da janela

dois pássaros voando

um cigarro aceso entre os dedos

os pensamentos entre a fumaça

uma lembrança.

 

Você sonhava, serviu de alívio esse fio cinza

entre o corvo e o céu

era cinza, também, sua lembrança.

O cigarro: inconsequente, triste, sozinho.

 

Você dizia quantos sentimentos num cigarro

tanto que até o cinzeiro é o meu sentimento.

Um pó morno, ligeiramente frio.

Voa nesse constante vento, agora.

Era se perdendo

que você ganhava

algumas parcelas de tempo

lembrando o seu cinzeiro antigo

do ano passado

de alguém partindo.

III

Para aquele em que os olhos ainda não admitiu pro coração que durante o dia alguma coisa por dentro acende: imediato, quente, de repente, traiçoeiramente, poeticamente. Qualquer coisa que o sufixo consiga encaixar no que sente para ser mais intenso. E para aquela que deixava velada, escondida, mascarada, a loucura de se atravessar e atrever pelo perigo, prorroga dentro de si, cada dia mais, essa vontade de mostrar todos esses gostos pela vontade maior, a de se meter numas burradas que a vida gosta de enfiar no coração da gente, mas que os olhos, os olhos medrosos, ainda, não deixam mostrar pro coração. Na verdade, no fundo, excessivamente, já está exposto e não tem jeito, isso se mostra já quase que incontrolavelmente, ta perfeitinho pessoalmente, quando se juntam, se encontram, se encostam, se olham. Mas, pela teia que o perigo tece, ainda os olhos podem tratar de deixar lento o processo para que nossos corações se olhem mais de perto, e de perto, até que no caminho perdido nossos lábios se encontrem e se afastem pela força, novamente, dos “bons costumes”

Se continuar fodendo, alargando, cometendo uma especie de sofrimento e saudade no meu coração, eu juro, não vou mais comportar meus olhos. Nem os seus se comportarão, eu sei que não.